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Contos Galácticos

Contos, artigos e traduções interessantes do Informátivo Galácito, o Fanzine exclusivo do Projeto Traduções para seus integrantes, liberados para apreciação do público em geral!

A Última Profecia

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Trazemos um conto, mais que especial, uma criação de César Maciel, editor-assistente da nova edição brasileira e fã de Perry Rhodan desde 1985! César é um grande conhecedor da série, uma verdadeira enciclopédia viva de PR. Seu primeiro conto aqui no IG será “A Última Profecia”, seu conto finalizado em 1997 e que agora será relançado pelo Projeto Traduções!

 

A Última Profecia

 

Sequência de dados da experiência astrofísica 17 sendo recebida, senhor.

Thanlar de Arnaval, comandante da nave de pesquisa arcônida EXPRESSO DE CRISTAL, olhou com curiosidade para seu subordinado. Apesar da frase dita pelo jovem ser igual às milhares de outras ditas tanto por ele como pelos outros tripulantes da nave nos últimos dias, ela teve em Thanlar um efeito maior do que seria esperado.

É incrível como a rotina pode nos acostumar com tudo, mesmo com os fatos mais inacreditáveis do Universo. Ou dos universos”, pensou Thanlar. “E é mais incrível ainda como tomamos consciência disso nos momentos mais inesperados”.

Ninguém na sala de comando da EXPRESSO DE CRISTAL percebeu o rápido devaneio filosófico do comandante. Todos os tripulantes da nave esférica estavam já há vários dias absortos em suas tarefas científicas, e deveriam concentrar-se ao máximo para aproveitar o pouco tempo que tinham.

A EXPRESSO DE CRISTAL, um cruzador de pesquisa esférico com duzentos metros de diâmetro e tripulação de 300 técnicos e cientistas, entrara há três dias em um outro universo. Somente este fato já seria assombroso, mas ele tornava-se mais incrível ainda pelo fato dela não ter entrado num universo em equilíbrio, como o universo ao qual os arcônidas estavam acostumados. A EXPRESSO DE CRISTAL estava há quatro dias dentro de um universo agonizante.

Tarkan era seu nome. Em apenas seis letras, estava condensado o sofrimento de bilhões de galáxias, sóis, planetas e povos. Este universo encontrava-se naquele momento nos estertores finais de seu processo de contração, que deveria atingir seu ponto culminante nos próximos milênios. Para um universo que já tinha cem bilhões de anos de idade, estar a apenas alguns milhares de anos de seu fim podia ser praticamente considerado como o próprio fim.

Thanlar de Arnaval observava pela tela panorâmica da sala de comando o espaço exterior e admirava-se com a imensidão da Criação. A existência do universo normal, com todas as suas maravilhas e leis físicas únicas, já era um fato digno de contemplação, e a descoberta de outros universos revolucionara a ciência galáctica nos últimos séculos.

Desde o ano 447 NCG, quando abriu-se uma passagem entre o universo normal e Tarkan permitindo a passagem da galáxia Hangay para o nosso universo, pôde-se estudar a estrutura do Superuniverso em detalhes.

Thanlar começou a lembrar-se da história de Tarkan e do Superuniverso. Há dezenas de milhares de anos, a superinteligência ESTARTU abandonou sua esfera de poder no universo normal para auxiliar os kansahariyya, seres de Tarkan que iniciavam um projeto gigantesco: transferir toda uma galáxia para o universo normal antes do colapso final de Tarkan.

Tanto eles como os outros 21 povos da coalizão, organizada para a transferência, prepararam-se para esta tarefa durante milhares de anos, construindo gigantescas estações que deveriam retirar energia do Código de Moral com o objetivo de transferir Hangay para o universo normal.

Contudo esta tarefa, hercúlea por si só, tornou-se mais difícil devido à resistência de HEPTAMER, uma superinteligência de Tarkan que, através da doutrina do Hexameron, levou vários povos a acreditarem que o colapso de Tarkan deveria ser acelerado, para que toda a vida existente nele pudesse se sublimar e atingir a glória suprema. Com isso, a coalizão de povos liderada pelos kansahariyya teve que lutar contra os seguidores do Hexameron, que queriam impedir a transferência de Hangay para o universo normal. Em 448 NCG, cinquenta mil anos após o início do plano, os kansahariyya finalmente conseguiram completar a transferência de Hangay para o universo normal, vencendo a resistência de Heptamer e seus seguidores.

Desde aquela época tornara-se claro para os cientistas galácticos que o universo normal, algum dia, também parará de expandir-se e começará seu processo de contração, repetindo o processo sofrido por Tarkan que, com certeza, repete-se ao infinito com os infinitos universos existentes no Superuniverso. Todos estes universos são esféricos e curvados sobre si mesmos, e repetem o inexorável ciclo de expansão/contração durante sua vida de bilhões de anos. Cada vez mais cientistas estavam convencidos de que todo universo começava com uma grande explosão inicial e passava por um processo de expansão, que, uma vez terminado, levava à contração durante bilhões de anos e o retorno ao estado original de grande densidade.

Thanlar voltou à realidade da sala de comando com o aviso do recebimento dos dados de mais uma sequência de experiências científicas. Ele percebeu que devia concentrar-se mais na rotina da nave e não no brilho avermelhado mostrado na tela panorâmica, que, ao mesmo tempo em que indicava o elevado estágio de contração de Tarkan, despertava-lhe as memórias da incrível história de sua descoberta.

Ele checou a pequena tela do computador embutido em sua poltrona de comando e constatou que toda a nave operava normalmente. Naquele momento, a EXPRESSO DE CRISTAL encontrava-se no ponto do espaço onde outrora estivera a galáxia Hangay, que agora fazia parte do Grupo Local de Galáxias ao lado da Via Láctea e de Andrômeda. A galáxia mais próxima localizava-se a quase trezentos mil anos-luz de distância, e era altamente improvável que a nave fosse detectada por alguns dos povos de Heptamer. Com isso, ele pôde ter segurança para relaxar e prestar atenção ao diálogo de dois cientistas que confabulavam em seus consoles um pouco atrás dele.

A temperatura de fundo já chega a 132 kelvin, o que significa um aumento de 15,4% desde a última medição, há quinze anos disse Almar de Nerkoian, um jovem astrofísico de testa alta e aparência sonhadora.

Daran de Zoltral, um cientista de meia-idade que possuía longos cabelos brancos e movimentos comedidos, completou:

Isto leva à reformulação da teoria de Kanertar sobre a velocidade de contração de um universo com a idade de Tarkan. Passe os dados da experiência AS-17 para meu console e dirigiu-se para seu posto de trabalho, situado a poucos metros de distância.

Thanlar de Arnaval não pôde disfarçar um sentimento de orgulho por sua raça. Há menos de três mil anos, os arcônidas eram seres completamente apáticos e inúteis, acostumados a deixar todas as tarefas físicas e intelectuais a serviço de um gigantesco computador. Os arcônidas daquele tempo não tinham motivação para nada, e passavam os dias vendo imagens abstratas e coloridas em telas de imagem situadas próximas de seus leitos. Contudo, nos últimos séculos, os resultados de um ambicioso plano de revitalização genética da raça começaram a fazer efeito, e, desde trinta anos atrás, podia-se dizer que os arcônidas haviam retornado aos dias de glória do Grande Império. Colônias arcônidas floresciam por todo o aglomerado estelar M-13, e em todos os mundos arcônidas notava-se o anseio da volta àqueles dias de poder e orgulho para Árcon.

Thanlar sentia que o novo século que se iniciava traria a glória de volta para seu povo. Ele olhou para o calendário mostrado no alto da tela de seu computador pessoal. Dez de janeiro de 1200 NCG, 03h12min. “Devemos voltar agora para nosso universo”, pensou ele.

Desde a entrada em Tarkan, em 6 de janeiro, todos sabiam que aquela seria uma missão curta, pois a EXPRESSO DE CRISTAL, por ser uma das naves científicas mais bem equipadas de Árcon, estava sendo requisitada para muitas outras pesquisas na Via-Láctea. Thanlar começou a dar ordens à tripulação para preparar-se para o choque Strangeness1, que deveria ocorrer quando a nave pulasse de um universo para outro. Apesar da tecnologia arcônida ter evoluído muito desde as desagradáveis experiências sofridas nos anos 447/448 NCG, os campos defensivos especiais das naves ainda não haviam sido aperfeiçoados o suficiente para tornar o choque da passagem entre universos menos traumático.

Às cinco horas de 10/01/1200, todos os setores da nave relataram estar preparados para o choque, tendo recolhido todos os instrumentos científicos e estando os tripulantes em prontidão de alerta. Dez minutos mais tarde, após a última checagem dos sistemas da nave e a contagem regressiva, a EXPRESSO DE CRISTAL sumiu de Tarkan, reaparecendo no mesmo instante na Via-Láctea, nas cercanias do aglomerado estelar esférico M-13.

Thanlar de Arnaval e muitos outros tripulantes da EXPRESSO DE CRISTAL perderam a consciência logo após a rematerialização. O choque Strangeness havia sido maior que o esperado, pois os relatórios que começavam a chegar à sala de comando indicavam que quase metade da tripulação havia perdido a consciência. Com o nível de proteção oferecido pelo moderno campo defensivo especial da EXPRESSO DE CRISTAL, seria de se esperar um número bem menor de pessoas inconscientes.

Thanlar foi despertado por um dos medorrobôs que haviam entrado na sala de comando para cuidar das pessoas inconscientes. Após alguns minutos de descanso, ele leu os relatórios que chegavam da nave e decidiu dar ordens a um dos técnicos responsáveis pelo campo defensivo no sentido de revisá-lo o mais rapidamente possível.

Subitamente, Thanlar ouviu um grito de Daran, que estava bem à frente da tela panorâmica observando-a com o rosto pálido como cera.

Thanlar aproximou-se de Daran, que também já havia despertado a atenção de outros tripulantes da sala de comando e que aproximavam-se dele.

O que aconteceu, Daran? perguntou-lhe Thanlar.

Daran respondeu-lhe sem tirar os olhos da tela panorâmica:

— “Quando o último cavaleiro das profundezas morrer, todas as estrelas deverão se apagar...”

Daran olhou para a tela de imagem e viu o inacreditável. As estrelas de M-13 estavam pulsando e vibrando, alternando sua luminosidade em rápidos intervalos. A pulsação parecia diminuir de ritmo com o passar dos segundos, e a luz das estrelas parecia extinguir-se gradativamente. Após um tempo que Thanlar não saberia precisar, as estrelas estabilizaram-se novamente, brilhando fracamente.

Thanlar olhou em volta da sala de comando e viu seus subordinados, apáticos e imóveis. Daran já havia se acostumado ao fenômeno e retornado ao seu console, onde permanecia pensativo. Thanlar dirigiu-se para ele.

Eu me lembro da profecia, Daran disse ele, tentando manter-se calmo mas não creio que a Ordem dos Cavaleiros tenha extinguido durante os últimos quatro dias. Seria possível?

Tudo é possível, comandante. Há pouco estivemos num outro universo, o que seria considerado impossível há séculos atrás e que hoje se tornou rotina para nós.

Thanlar fitou-o pensativamente e voltou a fitar a tela panorâmica. As estrelas estavam com seu brilho estabilizado, mas este era bem menor que o normal. Ao invés do brilho branco-azulado costumeiro proveniente da aglomeração de sóis no centro de M-13, o espaço apresentava-se aos olhos da tripulação da EXPRESSO DE CRISTAL como um grande negrume perfurado por pálidos pontos brancos.

Finalmente Thanlar decidiu agir para conhecer mais sobre o fenômeno, e voltou à sua poltrona de comando. Na tela de seu computador ele verificou o estado da nave, constatando que quase todos os tripulantes inconscientes já haviam se recuperado do choque. Em seguida, começou a dar ordens, todas no sentido de se fazer o mais rapidamente possível um estudo em detalhes do fenômeno com os telescópios e sensores da nave.

Todas as medições preliminares deverão ser feitas dentro de dez minutos, antes da entrada no espaço linear. Devemos rumar imediatamente para Árcon, pois não sabemos qual é a situação reinante em nosso sistema natal. Feltos, você já conseguiu captar alguma mensagem de rádio de alguma nave próxima?

Feltos de Kastar, o rádio-operador da nave, respondeu-lhe:

Não consigo captar nada, senhor. O espaço à nossa volta, pelo menos num raio de cem anos-luz, parece estar vazio.

Tal observação aumentou a preocupação de Thanlar. Normalmente, dentro de M-13, havia um grande fluxo de naves mercantes, cruzadores de batalha e naves de pesquisa, que deveriam estar irradiando comunicados na frequência padrão usada no Império. Mas por quê o espaço estava mudo ao redor deles?

Tente rastrear todas as frequências possíveis, e avise-me de qualquer mudança nas comunicações disse Thanlar.

OK, senhor. Ampliando busca para todas as frequências possíveis.

Após alguns minutos de tensão, no qual as equipes científicas da nave não conseguiam explicar o estranho fenômeno ocorrido com as estrelas e nem Árcon nem as naves que deveriam estar no setor davam sinal de vida, Thanlar decidiu rumar para Árcon o mais rapidamente possível.

Atenção, todos os tripulantes. Entrada no espaço linear em um minuto. Cientistas, terminem suas medições e enviem os resultados para meu console. Navegador, preparar para entrada no espaço linear.

Após um minuto, a EXPRESSO DE CRISTAL entrou no espaço linear e começou a acelerar em velocidade ultraluz. Contudo, após exatos dois minutos de aceleração, às 05h33min de 10 de janeiro, o mundo pareceu desabar para a nave e sua tripulação.

A EXPRESSO DE CRISTAL saiu do espaço linear e voltou para o espaço normal, sem que nenhum comando fosse dado nesse sentido. Em seguida, todos os computadores sintrônicos da nave pararam de funcionar, bem como todos os aparelhos que funcionavam em base pentadimensional. A tripulação só não morreu esmagada contra as paredes devido ao desligamento brusco dos neutralizadores de pressão graças aos sistemas secundários, que, por terem sua base de funcionamento semibiológica e semipositrônica, não foram afetados pela falha nos sistemas 5-D.

Relatório! gritou Thanlar para o navegador.

A nave saiu do espaço linear devido a motivos desconhecidos. Todos os sistemas 5-D da nave perderam sua eficácia. Os instrumentos indicam que eles continuam funcionando, inclusive o conversor linear, mas eles parecem não ter mais nenhum efeito no hiperespaço. No momento, os sistemas secundários estão mantendo os sistemas de suporte de vida e os campos defensivos.

Thanlar estava paralisado pelos acontecimentos. Primeiro, o estranho brilho das estrelas e o silêncio nas comunicações, e, agora, o colapso dos aparelhos de base 5-D. Tudo isso tinha que ter uma ligação entre si – será que a velha profecia estava realmente se concretizando? A angústia começou a tomar conta de seu íntimo, ao perceber que a base de toda a tecnologia não só dos arcônidas como dos outros povos galácticos baseava-se nos computadores sintrônicos – campos de energia pentadimensionais, nos quais a troca de informações era feita de forma completamente imaterial. Era um sistema infinitamente mais rápido e eficiente que o dos computadores positrônicos, mas que agora revelava suas fraquezas.

Thanlar começou a verificar os dados que encontravam-se na tela de seu computador pessoal. Devido ao pouco tempo que tiveram para analisar os fenômenos relativos às estrelas, a equipe de astrofísica da nave não conseguira chegar a nenhuma conclusão sobre os acontecimentos. Thanlar suspeitava de que eles não chegariam a nenhuma conclusão produtiva com a nave naquele estado, inoperante e presa no vazio interestelar, a dezenas de anos-luz da colônia arcônida mais próxima.

Thanlar decidiu que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para salvar a nave, mas sentiu que o desespero já começava a invadir sua mente.

Durante quinze dias, a tripulação da EXPRESSO DE CRISTAL fez todo o possível para explicar os estranhos fenômenos e encontrar uma maneira de tornar os sistemas 5-D novamente eficazes, mas nenhum de seus esforços teve êxito. A tentativa de comunicação por hiper-rádio com outras naves ou planetas próximos revelou-se totalmente inútil, e constatou-se que uma mensagem de rádio normal levaria anos para chegar à colônia arcônida mais próxima.

Naquele momento, a tripulação da nave já havia acostumado-se à sua nova rotina e tentava fingir que nada havia mudado. Na realidade, quase nada mudara dentro da nave – somente os aparelhos 5-D haviam perdido sua eficácia completamente. As escalas de trabalho e descanso da tripulação haviam mantido-se as mesmas, bem como tudo que se referia à vida dos tripulantes.

Contudo, ninguém conseguia esquecer que a nave vagava pelo espaço em velocidade subluz, e que levaria anos para levá-los a qualquer lugar que pudesse ser chamado de lar.

Thanlar de Arnaval dirigia-se à cabine de Daran de Zoltral. Thanlar acabara de participar de uma reunião de rotina com os técnicos responsáveis pelo conversor linear, que continuavam afirmando não haver nenhum problema com ele. Contudo, ele não exercia mais nenhum efeito no contínuo espaço temporal, e Thanlar ordenou-lhes que continuassem a pesquisa para tentar descobrir um meio de torná-lo operacional novamente. A cada minuto que passava, crescia em Thanlar a sensação de que ele nunca mais veria Árcon novamente.

Thanlar chegou à porta de entrada da cabine de Daran e tocou a campainha. Daran abriu a porta segundos depois, e convidou-o para entrar.

Comandante! É sempre um prazer vê-lo em meus modestos aposentos. Por favor, sinta-se à vontade.

Thanlar anuiu e sentou-se numa poltrona confortável, enquanto Daran buscava dois copos de uma bebida alcoólica suave muito apreciada pelos arcônidas. Normalmente o uso de álcool era proibido a bordo das naves do Império, mas tal regra nunca era muito aplicada em relação às bebidas suaves. Além do mais, desde o fatídico 10 de janeiro, todos os tripulantes não estavam mais tão presos a regulamentos como antes.

A que devo a honra de sua visita, comandante? disse Daran, enquanto esperava Thanlar ter a honra de sorver o primeiro gole de seu copo.

Pensamentos, Daran disse Thanlar, após observar pensativamente por alguns segundos o líquido avermelhado de seu copo pensamentos que não me saem da cabeça.

Pode me dizer, velho amigo. Você sabe que não temos segredos entre nós.

Thanlar sorriu. Daran fora seu professor na Academia Espacial de Árcon, e, desde aquela época, desenvolvera-se uma forte amizade entre o velho professor e seu aluno preferido. Ao longo dos anos, esta amizade fora reforçada pelo fato de ambos servirem nas mesmas naves primeiro na LARSAF e, depois, na EXPRESSO DE CRISTAL.

Daran começou ele todos temos observado nas últimas décadas os movimentos nacionalistas que têm emergido tanto em Árcon como nas diversas colônias do Império. Todos falam do destino de Árcon na Galáxia, na volta aos tempos de glória e conquista do antigo Grande Império.

Ele fez uma pausa para beber um pouco mais do líquido em seu copo.

Não sei se você já percebeu continuou ele —, mas sinto a ambição pelo poder em todas as esferas do poder estatal, desde os funcionários burocráticos até o trono. Todos apoiam as ações dos extremistas, que conquistam e anexam mundos brutalmente para cravar neles a bandeira do Império.

E onde você quer chegar, Thanlar? disse Daran, num tom de voz que fez Thanlar pensar que ele já soubesse a resposta à sua pergunta.

Eu quero dizer que nosso povo tem muito orgulho de seus feitos do passado e de sua recuperação biológica, política e social tem orgulho em excesso de tudo isso. Daran, não deveríamos ser gratos pelo fato de estarmos explorando o Universo novamente e não vegetando como nos tempos do grande cientista Crest?

Será que este fenômeno que afetou o hiperespaço está ocorrendo apenas em M-13, como muitos de nossos cientistas supõem, apenas como uma forma de nos punir pela nossa soberba? Não deveríamos ser mais humildes em relação às nossas próprias capacidades?

Daran pensou por um momento e disse:

Caro amigo Thanlar... eu tenho tido pensamentos semelhantes nos últimos dias, e confesso-lhe que eles têm sido realmente fortes. Penso especialmente em um de meus antepassados, Thora de Zoltral, a comandante da nave de pesquisa que fez o primeiro contato com os terranos. Durante boa parte de sua vida ela foi altamente arrogante em relação aos terranos, os quais considerava bárbaros subdesenvolvidos. Entretanto, alguns séculos após sua morte, descobriu-se que, na verdade, nós éramos descendentes dos lemurenses, os ancestrais dos terranos. Todos os arcônidas ficaram profundamente abalados por esta descoberta, e imagino como Thora não se sentiria se descobrisse que o povo que ela desprezou por tanto tempo era na verdade o povo que havia dado origem aos arcônidas! Também não nos esqueçamos do triste destino que afeta os povos do universo Tarkan e que um dia dizimará a todos em nosso universo, quando seu tempo tiver chegado ao fim. Creio que possamos todos tirar algumas lições destas histórias, Thanlar.

Thanlar pensou um pouco e respondeu a Daran:

Sim, meu amigo. Creio que a arrogância e a soberba tenham sido parte de nossa raça por muito tempo, tanto no passado como agora, e que devamos aceitar o fato de que somos simples arcônidas, apenas uma pequena peça no intrincado jogo da Criação.

Também é o que sinto, Thanlar, e gostaria que soubesse que, voltando ou não a Árcon, eu nunca me esquecerei desta nossa conversa disse Daran, bebendo os últimos resquícios de sua bebida.

Nem eu, meu amigo respondeu-lhe Thanlar, fitando a pequena tela que mostrava a pálida luz das estrelas do outrora majestoso aglomerado M-13, ao mesmo tempo em que tinha a certeza absoluta de que nunca mais voltaria para casa.

 

FIM

 

César Augusto F. Maciel

Novembro de 2007

Revisão em Março e Abril de 2017

1 Nota: choque de estranheza.

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Atlan e Árcon – 50 anos (PR 50-99)

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Como uma antecipação do período que se inicia com o livro 50 do ciclo, algumas considerações muito precoces dos criadores no passado são apresentadas:

Com o romance 49, a primeira parte da história humana é encerrada. O trabalho de um ciclo não pode e não deve ser o de embelezar a história que começou com o volume 1 que não teve limites.

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Cafezinho do zap-zap! - Fã de Perry

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Fã de Perry

Um presente para Rhodan – nos seus 55 anos

 

SONHO DESDE MENINO

UMA ASPIRAÇÃO HUMANA

ESCONDIDA NA ALMA.

NOSSO PASSADO FAZ BROTAR,

IDEAIS DE PAZ E SOSSEGO,

NESTE MAR DE MENTIRAS E DESASSOSSEGO.

MAS A ALMA A MENTE ACALMA.

RELEMBRAMOS UM PASSADO SANGRENTO,

SOBREVIVEMOS AO PRESENTE NO GRITO.

E CRIAMOS UM FUTURO DIFERENTE DENTRO DE NOSSA MENTE.

SEM PRECONCEITO DE COR.

SEM LIMITE DE VALOR.

APENAS COM O CALOR DO NOSSO AMOR.

POR TODO SER QUE VIVEU,

MESMO O AGORA, QUE É SEU!

NOSSA MENTE SEM LIMITES,

ENXERGA UM FUTURO IMAGINADO.

ONDE O UNIVERSO É UM PRESENTE,

PARA UMA HUMANIDADE UNIDA E CRENTE!

Projeto traduções

Antonio Angelo

Maceió, 10/09/2016

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Cafezinho do zap-zap! - Falta

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Falta


 

Falta Colaboração

Falta Integração

O que não falta é Deterioração.


 

Mas, ainda bem que não falta Reiteração.

Por que, na falta de Superação.

O que seria de nossa Consagração?


 

Agora não falta Proliferação.

O que falta é Interação.

Quem sabe um dia não faltará Cooperação.

 

Márcio Inácio

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Belo Horizonte, 23/02/2017

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Cafezinho do zap-zap! - Irmãos Siderais

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Irmãos Siderais

 

Irmãos siderais de sonhos pedidos
Um voo sem volta olhando o mar infinito
Admirem aquela estrela vermelha
As vidas que a viram mudar de amarelo para enfim pulsar


Saibam ó aventureiros que um dia hei de chegar
Chegarei a amada Terra que um dia fugi me perdendo do lado de lá
Da Galáxia tão fria e vazia que nos portos que aportei
Nenhum me recebeu como os Abraços que aqui há.


Mas se em casa pouso
E escondo minha nau carregada de infinito atrás do paiol
Me pego em noites frias puxando um pé a admirar
como elas lá no alto me piscam suas promessas de amantes distantes


Más jamais esquecidas

Dito Muniz

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Belo Horizonte, 24/02/2017

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Cafezinho do zap-zap! - O Chamado do Cosmo

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O Chamado do Cosmo

"Para quem sonha sem limites. O universo é a sua casa!"

 

AS TERRAS JÁ SÃO CONHECIDAS…

O MAR É UM MISTÉRIO…

E O COSMO É UM MISTÉRIO DESCONHECIDO!

VIAJAR POR ELE COM A MENTE,

DESMENTE FATOS,

CRIA-SE A SEMENTE.

A SEMENTE DA VIDA,

DESCONHECIDA DO COSMO,

AGE EM NÓS COMO UM ÍMÃ, UM ALGOZ.

NOS FAZ SORRIR DA DESCOBERTA,

AINDA ENCOBERTA.

NOS LEVA A VIAJAR SEM SAIR DO LUGAR.

UM MODO PODEROSO DE DESVENDAR OS MISTÉRIOS,

ONDE O INFINITO MOLDA A NOSSA IMAGINAÇÃO,

SEM QUALQUER LIMITAÇÃO.

VOAR VOAR SEM SAIR DO LUGAR.

CRIAR CRIAR SEM NUNCA SACIAR.

FUGIR FUGIR DESTE MUNDO CONHECIDO.

CHEGAR CHEGAR NUM MUNDO DESCONHECIDO.

LEVAR LEVAR E AOS AMIGOS EMBALAR.

ESCREVER ESCREVER E NUNCA DEIXAR DE LER!

Projeto traduções

Antonio Angelo

Maceió, 05/09/2016

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Cafezinho do zap-zap! - OS ETERNAMENTE BONS

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OS ETERNAMENTE BONS


 

Amanhecendo.....

Uma brisa fresca, num dia claro.......

E eu aqui, estática...............

 

Eu aguardo - o sol - a chuva - o bicho - o homem.

Sirvo sem distinção - sem emoção.

Estou aqui em missão.

 

Observo passar a luz e a escuridão.

Do vermelho ao azul do cinza ao negro.

Fico seca - sinto a umidade - molhada eu pingo.

 

Tenho pés firmes com dedos fortes.

Abraço e racho com força a rocha profunda.

Mergulho bem fundo na água do mundo.

 

Vivo da Terra - transformo ela - retorno a ela.

Sirvo o mundo - seja noite - seja dia.

Eles chegam e partem como se EU fosse um mercado.

 

Tenho corpo e belos braços.

Meus dedos são pequenos ou grandes - duros ou delicados.

Quase sempre verdes - nem sempre assim.

 

Todo ano fico bonita e rica.

Oferto de graça aquilo que tiro do ar - da água - da rocha escura.

É só chegar - pular - subir - colher. Ou deitar e esperar cair!

 

Mas este não é o meu pesar!

Este não pode ser o meu reclamo!

Pois amo viver por esta razão!

 

SÃO ELES...…

 

Arrancam meus dedos em desespero,

meus frutos não maduros e meus braços imaturos.

 

POR QUÊ? PARA QUÊ?

 

Atiram o meu corpo ao solo sem pensar!

Uma sombra fresca a menos só pode incomodar!

Para no fim, nada de bom surgir de mim.…

 

Mas nada falo - nada digo por este castigo.

O único som que de mim escuto, não é de mim um produto.

É o som da machada em meu corpo...

A cada golpe carne minha se desprende e uma vida vai morrendo.

 

Vou ficar ali, deitada, bem quieta. Desidratando em silêncio enquanto a seiva fluir.

Em seguida vou secar - vou morrer. Com sorte uma semente vai sobreviver.

Enquanto relaxo e durmo, eu serei o adubo de meus parentes e de minha semente.

Sem raiva nem choro, mas reconheço minha vida de quase dor.

 

Não vejo, não falo, não sinto. Não me mexo, estremeço ou reajo.

Sempre crescendo e amadurecendo. Florindo, parindo e semeando.

Servindo a todos com de tudo um pouco.

 

Tenho por fim um fim. E talvez um começo em novo endereço.

Convenhamos, o nosso mundo é vasto e infinitamente variado...

"E eu sou apenas uma das vidas que doa vida sem se importar com a própria vida!"

 

 

Antonio Angelo

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Maceió, 09/11/2016

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Cafezinho do zap-zap! - QUE?

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QUE?

 

FAZÊ O QUÊ?

SE NADA DO NADA,

SEM NADA FAZER,

TEM TUDO A VER!

FAZÊ O QUÊ?

NA AUSÊNCIA DE TUDO

COM UM POUCO DE NADA,

DE NADA FAZER!

FAZÊ O QUÊ?

QUANDO NO VAZIO DA VIDA

DA MORTE FINITA,

GERAMOS A VIDA

SEM MEDO DO NADA!

FAZÊ O QUÊ?

CAMINHAMOS SOZINHOS

NA ESTRADA VAZIA

DE UM CLARO DIA

PARA UMA NOITE VAZIA!

FAZÊ O QUÊ?

JOGAMOS COM O FUTURO

UM JOGO DE AZAR.

NO DIA A DIA, NA CAMA,

NO MEIO DA SEMANA,

NUM DIA DE AZAR

ELA VAI CHEGAR!

FAZÊ O QUÊ?

É ASSIM DESTE JEITO,

UM JEITO SEM JEITO.

COM UM POUCO DE AZAR

A SUA VIDA VAI FINDAR.

FAZÊ O QUÊ?

NO LIMIAR ESCURO E FRIO DA VASTIDÃO,

NÃO HAVERÁ PERDÃO.

QUER QUEIRA QUER NÃO

É O TEU DIA DA RAZÃO!

FAZÊ O QUÊ?

Antonio Angelo

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Maceió, 06/09/2016

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Cafezinho do zap-zap! - Reclamação

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Reclamação

 

No zap-zap, Reclamo!

Pela coerência, Clamo.

Porém, ao fim do dia estou no mesmo Vamo-que-vamo.

 

Ainda que fizesse, Esparramo.

Mas não faço, e continuo Infamo.

Para alma, acaso tenho um Cânhamo?

Quem sabe mudada, Declamo.

 

Com esse discurso, Exógamo.

Mudaremos para atitudes de Transformação.

Márcio Inácio

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Belo Horizonte, 23/02/2017

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Cafezinho do zap-zap! - Um Dia...

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Um Dia...


 

Que flutuem no céu naves espaciais.

Que brilhem nos sonhos os segredos que um dia lhes darão forma.

Que sejam dias de paz.

Que meus sonhos voem no espaço vazio.

Verdadeiros, velozes e comigo a ler um livro.

Verei pela janela o planeta se aproximando e não estarei sonhando.

Nesse dia o PR do mês será publicado em Vega.

E eu quem sabe leia primeiro que aqueles que estão na Terra.

 

Dito Muniz

Cafezinho do zap-zap - Projeto traduções

Rio de Janeiro, 30/01/2017

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Cairo em 1344 NCG!

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Da última vez, se falou sobre a representação do Egito em geral e em particular o Cairo na série Perry Rhodan.

Em 2009, foi lançado o livro de regras para o jogo de role-playing de Perry Rhodan que trouxe a história da Liga dos Terranos Livres, o banco de dados do RPG – em particular, a história de fundo para a construção da pirâmide e, assim, o armazenamento do olho de Laire, vem de Rainer Castor – que somou os detalhes da atmosfera e acrescentou uma descrição nele para o Cairo em 1344 NCG. (na página 130). Isso agora não é canônico na série em cem por cento, mas como partiu de Rainer Castor há “aprovação” da parte da LTL (que até mesmo trabalhou ansiosamente com ela) e a informação deve ser bastante útil (temos do ano 3.585, naquela ocasião sob “intervenção do deus”...):

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Como foram as experiências com Os Senhores da Galáxia...? - Parte 1

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No episódio 2790 da primeira edição assombram sempre pela ação do livro estátuas misteriosas de uma pessoa chamada Zeno Kortin. Este foi, como sabemos agora, um dos lendários Senhores da Galáxia, que governaram por milhares de anos em Andrômeda, até o ano de 2406 dC, quando foram derrotados pelos terranos – tudo no mesmo ciclo (livros 200-299), história decorrida de julho de 1965 a maio de 1967 e está incluído nos volumes de prata 21 a 32.

Desde então, os Senhores da Galáxia (ou abreviadamente SdG) têm desenvolvido uma reputação mítica e veem sempre reaparecendo na série (inclusive nos volumes a partir do 2500, quando a ação é deslocada para Andrômeda e antigos processos). E agora Zeno Kortin. Um tefrodense, que é descrito como Maghan, título a que teria direito somente um dos Senhores da Galáxia.

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Erotismo em Perry Rhodan

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 — Eu penso que este é um tema até então negligenciado de forma errada. – Delorian Rhodan escreveu, não muito tempo atrás no fórum do Perry Rhodan na Alemanha. Mais tarde, Beitrager acrescentou: — Conheço pessoas que adorariam ler isso. — Nós acabamos em uma discussão referente que homens e mulheres parecem ter ideias diferentes sobre o termo "erótico." Houve um longo debate. Se você quiser ler tudo que foi discutido, veja aqui (http://forum.perry-rhodan.net/viewtopic.php?f=10&t=6821).

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Erotismo em Perry Rhodan – a virada

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Nó último artigo vimos como a atitude em relação a "sexo e erotismo" prevaleceu na série Perry Rhodan desde o começo – e por quê. Agora, vamos olhar com uma atenção maior o seu desenvolvimento.

A partir do volume 700, vemos como os padrões de Scheer são adaptados lentamente para o tempo atual. Então no volume 715 ("Luta pela SOL", de H.G. Ewers) um "delicado" e "com aroma de ervas" cibernética (afinal, uma dr. assim condizente) para uma noite aconchegante em uma expedição planetária com o nosso Perry:

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Lika

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Um conto gentilmente cedido pelo Paolo Giovanoli inspirado no imaginário de Brian Aldiss e seus super brinquedos…

As últimas palavras que vieram à memória de Lika antes que seus circuitos positrônicos viessem à falência foram "eu te amo".

"— Eu te amo. Pra sempre vou te amar. Você é a minha amigona.

Não vamos nos separar?

Nunca. Eu te amo muito.

Pra sempre?

Pra sempre."

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Momentos marcantes na história de Perry Rhodan na Alemanha e Brasil.

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A série foi criada em 1961 por K. H. Scheer e Clark Darlton. Inicialmente concebida para ser uma trilogia, ela se tornou um sucesso duradouro, ultrapassando o número de 2.855 histórias em maio do ano 2016. Houve diversas reedições, incluindo edições totalmente revisadas em formato de capa dura. Significativamente relacionadas a ela, estão as séries “Atlan” e “Romances Planetários” (“Livros de Bolso”), nas quais os temas da série têm um desenvolvimento mais pormenorizado. Nas décadas que se seguiram ao seu lançamento, surgiram histórias em quadrinhos, numerosos itens de colecionador, várias enciclopédias, áudios, canções etc. A série foi parcialmente traduzida para diversos idiomas. Ela também foi passada para o cinema com o filme Mission Stardust (1967), muito criticado pelos fãs.

Em 1962, um novo membro juntou-se ao grupo de autores: William Voltz. Ele deixaria uma forte marca na série a partir da década de 1970. Voltz era um jovem autor que escrevia para revistas amadoras, os chamados fanzines, e era uma pessoa que K.H. Scheer havia sistematicamente mantido próxima do grupo de escritores.

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O Clone

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Neste mês trazemos um conto “resgatado” da lista de Perry Rhodan no Yahoo… Antes que o Yahoo acabe definitivamente… Esperamos que gostem e que esse conto tenha ficado ao agrado do autor, Claudiney Martins, que infelizmente não conseguimos contato…


 

O Clone

Em um antigo planeta arcônida, durante o segundo ciclo.


 

Personagens principais deste conto:

Perry Rhodan – Administrador Geral do chamado Império Solar da Humanidade

Gucky – Um alienígena de um pouco mais de um metro, parecido com um rato e com um único dente que lembra um castor. É um dos mais poderosos aliados da Humanidade. Tem os poderes de telepatia, telecinese e teleporte. É muito brincalhão.

Arcônidas – Raça alienígena que já teve um gigantesco império onde a Terra foi uma colônia. Hoje é decadente e governada por um gigantesco cérebro positrônico.

Aras – Raça descendente dos arcônidas e inimiga da Humanidade. São especialistas em medicina.


 

Quanto tempo demorara? — perguntou o capitão Larry Kerkov. Homem alto e forte. Sentia-se completamente desconfortável no interior daquele túnel de pedras.

Além do aperto, eles tinham que utilizar o traje espacial completo, pois a tênue atmosfera do planeta não era respirável, além de ser quente demais. Estavam à sombra, no subsolo de uma pequena montanha, mas a temperatura externa passava dos sessenta graus.

Creio que uns vinte minutos. — respondeu Jean Clidows. Sujeito falastrão de estrutura frágil. Suas pernas e seus braços longos davam a impressão de completo desalinho, o que não era de todo errado. O sujeito era desastrado em seus movimentos e os óculos que usava não ajudavam na aparência.

Jean Clidows era tenente e semimutante, isto é, um mutante de poderes não muito fortes, mas que estavam sendo aproveitados na Frota Solar como membros dos Grupos de Operações Especiais, o GOPE. Formavam-se estes grupos com o objetivo de liberar os integrantes do Exército de Mutantes para operações supostamente mais importantes.

Vou verificar se tem alguma armadilha de quinta dimensão — continuou o semimutante.

Larry ficou observando enquanto Jean se concentrava e virava o seu rosto com os olhos fechados em direção à parede metálica de uma antiga base. Como o semimutante havia lhe descrito, naquele instante ele enxergava os campos de quinta dimensão. Tudo aparecia como em raio-X, mas em cores verdes e em uma semitransparência na mente do mutante, até uma distância aproximada de quinze metros. Eram os hipercampos que todos os materiais possuem, mas as máquinas que a utilizam concentram em tal quantidade que elas aparecem em tonalidades de amarelo a vermelho para Jean.

Cansou de observar o trabalho do tenente. O capitão Larry já o tinha visto em ação inúmeras vezes nos treinamentos e virou para os outros dois integrantes do 13º GOPE. Miguel Lourenzo era um sul-americano de feições indígenas; atarracado, forte e dono de uma personalidade extremamente prática. Sempre bem disposto e bem humorado. Nunca discutia uma ordem dada, mas volta e meia dava sugestões que surpreendiam pela perspicácia. Fora ele que descobrira o túnel na montanha que os levara até a parede da base Ara.

Jordan Tegon era um francês enorme e muito forte. Maior que o capitão, fazia figura cômica naquele apertado túnel. Não tinha uma inteligência invejável, mas sua pontaria era certeira. O capitão resolveu convocá-lo para o GOPE, pois além desta qualidade ele tinha duas condecorações por atos heroicos.

Temos uma máquina a cinco metros à direita — disse Jean, ainda concentrado. — Ela trabalha com hiperenergia, não parece ser uma armadilha. No nível abaixo vejo alguns campos hiperenergéticos, mas estão quase fora do meu alcance. A parede não apresenta nenhum sinal de hipercampos.

As informações de um semimutante nem sempre eram confiáveis. O capitão Larry Kerkov era o responsável por tomar as decisões a partir delas. Se confiasse nas informações do tenente, poderiam abrir um buraco na parede da base para invadi-la. Isto se aquela parede fosse mesmo da base e não alguma outra construção, já que caminhar por cavernas apertadas poderia deixar o indivíduo desorientado. Depois de entrarem na base ara, provavelmente acionando algum tipo de alarme, eles teriam que descobrir o laboratório onde supostamente a raça descendente dos arcônidas, especialista em medicina e afins, estava tentando clonar uma importante personalidade do Império Solar da Humanidade. Os aras haviam conseguido um pedaço de tecido desta pessoa, mas ninguém sabia de quem. A primeira missão do grupo tinha uma importância vital para o Império. Entretanto havia outro problema.

Prestem atenção — solicitou Larry. — Temos pouco mais de uma hora de oxigênio. Vocês sabem que é justamente o suficiente para chegarmos ao local de encontro dois onde uma nave de apoio nos recolherá. Contudo, fui designado para uma missão e pretendo cumpri-la, apesar da pouca possibilidade de sucesso. Não peço, muito menos ordeno que me sigam. Pelo contrário, estou liberando oficialmente todos da missão, para que salvem suas vidas. Para os que resolverem me acompanhar não posso prometer nada, apenas dar a escassa esperança de, uma vez encontrado o laboratório, identificado e roubado a amostra de tecido, buscarmos tanques de oxigênio ou mochilas recicladoras aras para termos ar respirável e desta maneira alcançarmos o ponto de encontro três.

Estou com o senhor, chefe — falou Miguel de imediato. Como sempre o mais espontâneo.

Vocês não iriam longe sem os meus poderes — disse sorrindo o semimutante e sem dar tempo, virou para Jordan e perguntou: — E você, João Grandão? Vai ou não vai?— E você, João Grandão? Vai ou não vai?

O francês não respondeu. Ou melhor, respondeu com ação. Levantou o pesado fuzil energético e apontou para a parede da base. Jean, que estava entre a arma de Jordan e seu alvo, moveu-se com uma agilidade que surpreendeu Larry, posicionando-se atrás do grupo. Vinte minutos depois uma lufada de ar soprou em direção ao grupo erguendo poeira no túnel. Um buraco de meio metro de diâmetro tinha sido aberto na parede. Sem perda de tempo, Jordan forçou seu grande corpo pela pequena abertura. Miguel foi em seguida e Larry deixou Jean por último. Era a ordem que sempre seguiam nos treinamentos e agora era posta em prática pela primeira vez. A manobra tinha a intenção de preservar a vida do integrante especial do grupo.

Larry quase foi atropelado por um robô de manutenção que se apressava a chegar ao buraco aberto na parede. Ele escutou pelos alto-falantes de seu capacete o sinal que sabia ser de alarme. Não demorou muito e começaram aparecer os robôs de guerra que deviam fazer a vigilância da base. Sem tempo a perder, ele deu a ordem de avançar pelo longo corredor que estavam. Seguindo o padrão militar de avanço e cobertura, tendo sempre à retaguarda o tenente Jean, eles avançaram rapidamente, graças também a falta de organização dos robôs de guarda aras que atacavam individualmente. Logo os robôs cessaram o ataque e recuaram. Aparentemente tinham notado que seu contra-ataque era infrutífero e resolveram se agrupar antes de atacar novamente. Eles não usavam armas pesadas, provavelmente para não destruir as instalações.

O capitão Larry não perdeu tempo.

Jean, veja o que tem abaixo de nós — ordenou. — Miguel, tente abrir uma das portas. Os robôs de manutenção já fecharam o vazamento de ar e as portas já devem estar liberadas.

Logo Jean forneceu o seu relatório: — Muitas máquinas trabalhando com hiperenergia. Devem ser os geradores da base.

Muitas máquinas trabalhando com hiperenergia. Devem ser os geradores da base. — Ótimo — disse Larry. — Se os geradores estão logo abaixo de nós, estamos no andar principal da base, já que os aras têm o costume de construírem suas bases com os geradores por baixo e os laboratórios principais no piso imediatamente superior.

Enquanto Jordan, deitado no chão, dava certeiros tiros nos robôs que avançavam agora em bloco, Larry entrou no laboratório que Miguel Lourenzo havia aberto. Ele mantinha três cientistas aras sob a mira de sua arma. Logo os aras foram trancados em armários, não sem antes apontar, após ameaças nada sutis, onde ficava o laboratório de clonagem.

Avançaram até a porta do laboratório indicado que ficava bem próximo. Miguel e Jordan se deitaram no chão atirando sem cessar nos robôs que não se importavam com as terríveis perdas que estavam tendo. O ar do corredor foi ficando escuro e irrespirável e os terranos tiveram que fechar seus trajes novamente. Jean e o capitão Larry entraram no laboratório procurado.

Como vamos encontrar a amostra de tecido neste mar de armários? — perguntou Jean embasbacado. — Temos alguma ideia do que temos que encontrar?

Procure nos refrigeradores por um recipiente retangular transparente — respondeu o capitão já com as mãos na obra.

Os minutos foram passando e a luta fora do laboratório foi tornando-se mais dura.

Como está aí fora, Miguelito? — perguntou Larry pelo rádio.

O capitão era o único que o boliviano permitia chamá-lo daquele jeito, mas sentia-se desconfortável da mesma forma.

Podemos segurar mais uns minutos — respondeu o sul-americano —, então teremos que recuar ou usar granadas.

A busca continuou com mais pressa. Alguma coisa incomodava Larry naquela história toda. Se ele tivesse tempo para pensar... Mas tinha que procurar com rapidez nos inúmeros refrigeradores do laboratório. Jean tinha passado para uma sala ao lado e o capitão torcia que ele tivesse mais sorte.

Ratos me mordam, capitão! — berrou pelo rádio o semimutante. — O senhor não vai acreditar no que eu encontrei! E também não vai gostar nem um pouquinho.

Fale logo, homem! Encontrou o tecido?

Mais do que isto, capitão. Encontrei um ser clonado inteirinho e duvido que o senhor adivinhe de quem era a "fôrma" que estávamos procurando.

O comandante do primeiro GOPE estava a ponto de perder a paciência com o tenente, porém se esqueceu de qualquer reprimenda que pretendia dar ao ver o ser dentro de um tubo transparente.

Essa não! — disse Larry apenas.

O que vamos fazer, chefe? Já pensou se os aras conseguirem uma aberração desta? Um Gucky amigo já é um problema, imagine um como inimigo?

Não temos como levar o clone. Vamos destruí-lo com os fuzis, armar as bombas e cair fora. De qualquer forma já sabemos de quem eles possuem o tecido. Atire nele enquanto armo as bombas que destruirão a base.

Jean mirou na cabeça do clone que estava dentro do tubo transparente. Por um momento achou que o nariz do clone de Gucky tinha mexido, intrigado, baixou a arma e olhou. Sua mente devia estar lhe pregando uma peça. Voltou a mirar e quando pensou em atirar o clone abriu os olhos. Jean não conseguiu evitar a surpresa e acabou dando uns passos para trás e esbarrando no capitão que, abaixado, jogava uma das bombas sob uma bancada.

Cuidado tenente!

Senhor, o bicho está vivo!

Larry sentiu tensão na voz de Jean e levantou-se verificando que os olhos do clone estavam abertos.

Atire! — berrou ele.

Jean atirou quase que de imediato, mas foi em vão. O rato-castor clonado piscou um dos olhos e sumiu. Um barulho alto de estouro de espumante se fez ouvir, quando o ar preencheu o espaço que o clone estava, no mesmo instante que o raio da arma de Jean atingia o local.

Droga, tenente! — berrou o capitão. — Você demorou! Agora a nossa chance é que as bombas destruam este local e levem o clone do Gucky junto.

Antes de saírem da sala, armaram mais algumas bombas, mais do que suficiente para destruir toda a base. Esconderam-nas o suficiente para dificultar sua localização. Do lado de fora, lançaram uma granada explosiva que destroçou o laboratório e tornou quase impossível localizar as bombas a tempo de desarmá-las. Desta maneira, garantiram que a base iria pelos ares.

No corredor, as coisas estavam pretas, literalmente. Miguel e Jordan tinham começado a usar as granadas e não se via os robôs devido a fumaça negra que tomava conta de tudo. Recuaram sem muitos problemas até o ponto onde haviam entrado. O remendo feito às pressas pelos robôs de manutenção era mais fraco que a parede e Jordan não levou cinco minutos para abri-lo novamente. Sem dificuldades, saíram da base e percorreram a caverna de volta até sua saída. Substituíram suas garrafas de ar pelas que pegaram na base e que, por terem o mesmo encaixe das garrafas dos arcônidas, podiam ser usadas sem problemas de conexão.

Muito bem — disse o capitão Larry. — Vamos afastar-nos o mais rapidamente possível da base. A explosão será grande.

Falar era fácil, mas movimentar-se rápido em uma gravidade baixa era um problema. Eles tiveram que desligar os gravitadores, pois a temperatura externa sob o sol estava acima de 150 graus centígrados, o limite que suportava o traje espacial. Desta maneira economizavam energia que podia ser aproveitada para refrigerar o interior. Mesmo assim, a temperatura interna atingia o incômodo patamar de 48 graus, o que tornava a respiração um ato de autoflagelação. Pelo mesmo motivo não haviam trazido as mochilas de voo. Tinham que percorrer dez quilômetros para chegar ao local de encontro, mas antes teriam que se proteger da explosão. Ela jogaria boa parte da montanha na qual a base estava encravada para os céus. O risco que um grande pedaço desta montanha caísse em cima deles não era desprezível.

Com um olho no terreno e outro no cronômetro, eles avançaram. O cansaço os atingiu quase que de imediato, quando ainda estavam a poucas centenas de metros da caverna da qual haviam saído. A água era consumida em grandes quantidades, na esperança que ela pudesse fazer o que o sistema de refrigeração não conseguia. Quando faltava menos que um minuto, Larry dirigiu o grupo para uma cratera pequena e profunda, que podia oferecer alguma proteção. Ele não se enganou, pois sabia que estavam muitos próximos da base e o grupo corria o risco de ser atingido pelos destroços.

Depois de se acomodarem em uma das encostas da cratera, Larry passou a informar o tempo restante para a explosão.

Faltam vinte segundos!

Eu queria que a minha água estivesse mais fria — comentou Jean.

Silêncio.

Faltam quinze segundos!

Que calor — reclamou Jean.

Dez segundos. Nove...

Um movimento na borda da cratera. Antes que os quatros terranos tivessem tempo de olhar para cima um objeto rolou encosta abaixo. Para o espanto de todos eles reconheceram o objeto imediatamente: uma das bombas armadas na base ara.

Sete. Seis...

O pavor foi ainda maior quando notaram que a contagem regressiva era agora feita por um pequeno ser. Ele estava na borda da cratera e lançara a bomba para dentro dela. Apesar do traje espacial a figura era bem conhecida.

Gucky!! — disseram todos.

Na verdade o clone dele que ironicamente terminava a contagem.

Quatro. Três. Tchau, tchau.

Com a teleportação do clone do rato-castor, os olhos do grupo se voltaram para a bomba no fundo da cratera. Nunca se soube o que os demais pensaram naquele instante, mas Larry se lamentou de falhar logo na primeira missão e fechou os olhos em uma defesa instintiva totalmente inútil.

Demoram alguns segundos para notar que não haviam morrido. A bomba não explodira. Larry foi o primeiro a recuperar o controle de si.

Todos para fora da cratera! — berrou ele. — Rápido!

Em poucos segundos passavam por sobre a borda para darem de cara com um rato castor de olhos arredondados brilhantes e dente solitário a amostra pelo visor do capacete. Uma clara indicação que ele se divertia muito com tudo aquilo.

Os quatro homens pararam imediatamente. Jean e Jordan ergueram suas armas e apontaram para o rato-castor que não conseguiu mais conter a gargalhada.

Baixem suas armas — ordenou Larry.

Você está louco — protestou Jean. — Temos que matar o clone.

Ouça o capitão, tenente — disse o rato-castor em meio às risadas que aos poucos foram parando. — Ele já entendeu o que aconteceu.

Eu também — falou o tenente semimutante, sem baixar a arma. — Não sei como você descobriu as bombas e as desarmou. Mas agora quer brincar conosco antes de nos entregar para os aras. Porém, não vou servir de cobaia para estes açougueiros galácticos.

Tentou apertar o gatilho, mas ele não se mexeu. O rato-castor segurava a alavanca de disparo com sua telecinese.

Pare com isto, tenente Jean — ordenou novamente o capitão. — Deixe o tenente Gucky explicar.

Obrigado Larry. Como você já descobriu tudo não passou de um teste para medir a determinação do grupo antes de colocá-los realmente em serviço ativo. O clone na verdade não era ninguém mais do que eu mesmo em brilhante atuação, não acham? Para que não haja confusão eu vou repetir: não existe nenhum clone e tudo não passou de um teste. Os aras da base eram robôs, a base ara é uma antiga base arcônida há muito tempo abandonada. Estamos no planeta Porta do Inferno, que hoje é um posto avançado do Império Solar e não em um planeta deste povo. Posso adiantar que vocês passaram no teste e espero por vocês na nave IGARA que está pousando no ponto de encontro. Vamos comemorar com muito suco de cenoura. Eu pago. Espero por vocês lá.

Gucky se teleportou. O cruzador ligeiro IGARA já descia no planeta. Jean e Jordan estavam ainda boquiabertos com tudo o que o rato-castor havia dito, mas ele não tinha terminado ainda. Reapareceu na frente do grupo, o que fez com que Jean e Jordan erguessem instintivamente seus fuzis mais uma vez. Gucky falou com o seu grande dente roedor se destacando:

Espero principalmente o senhor, tenente Jean. Quero que me explique o que quis dizer com "um Gucky amigo é um problema" e a sua definição da palavra "aberração".

Jean engoliu em seco e não pode dizer nada em sua defesa, pois Gucky já havia desaparecido.

Vamos logo pessoal — animou-se Miguel Lourenzo. — Talvez o capitão da IGARA libere alguma cerveja para a nossa comemoração.

Acho difícil — comentou o capitão Larry. — Teremos mesmo que nos contentar com o suco de cenoura do Gucky.

Os quatros componentes do 13º Grupo de Operações Especiais se encaminharam na direção da nave que pousava. Quase todos não viam a hora de chegarem na IGARA, tirarem seus trajes e respirarem ar fresco. Mas um deles caminhava um pouco mais devagar, sem pressa de chegar à nave e surpreendentemente quieto. A verdade é que nas próximas horas a vida não seria nada fácil para o tenente Jean Clidows.


 

FIM


 

Claudiney Martins

Abril de 2006

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O Contador de Histórias - A Cabana

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Trazemos a sequência do conto do integrante Antônio João Ângelo, O Livre-pensador (Josué). A segunda parte d´O Contador de Histórias.

A Cabana

 

IMG 7693Tio Josué passou a conduzir uma conversa alegre, após nos acomodar em poltronas rústicas e confortáveis. Enquanto minha tia brincava com a Mona no colo.

Os seus filhos Rubem, podem brincar com o Amigo depois que lancharem. Nosso velho cão é de total confiança.

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O Contador de Histórias - A Varanda

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Trazemos a sequência do conto do integrante Antônio João Ângelo, O Livre-pensador (Josué). A terceira parte d´O Contador de Histórias.

A Varanda

 

IMG 7369Estamos em junho de 1978 e minha família está novamente reunida. São treze membros; três filhos: Leto o primogênito, com sua esposa Karla e seu filho Fábio; a Sophie com o marido Jorge e seus filhos: José, João e Karla; e a minha caçula Karim, com o marido Ted e a minha netinha Luiza, com apenas seis meses. Hoje a noite temos alguns convidados e parentes: o Rubem com a sua esposa Ivete, e seus dois filhos. Eles já estão conosco há alguns dias. O mais velho, o pequeno Eleazar, despertou-me um carinho todo especial. Ele é esperto e curioso. Vou observá-lo com atenção esta noite.

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