O passeio com duração estimada de duas semanas começa em 7 de fevereiro, no espaçoporto de Terrânia. Os gêmeos Prioretti são sobrecarregados pelas memórias de sua infância e a morte de seus pais, que sucumbiram há 23 anos no planeta Quadrolon a uma doença hereditária grave. Ambos agora temem que ela também os afete, pois já mostram os primeiros sintomas da chamada insanidade de Quadro, que tentam esconder dos outros participantes. Mas, já no primeiro dia da viagem, Homunk nota um observador invisível que segue o grupo. A princípio, ele não reage, mas fica bastante ocupado consigo mesmo. Com o passar do tempo, o confuso androide percebe cada vez mais qual o motivo de sua aparição em Zwottertracht. Tem de ser uma ordem da superinteligência AQUILO, sendo necessário obter uma espaçonave. Portanto, ele mostra desde o início um interesse evidente pelos espaçoportos da Terra.
Quando Rhodan recebe um relatório inicial uma semana depois, ele não repassa para seus hóspedes nenhuma informação sobre problemas que eles não teriam esperado. Mas a indicação de um observador invisível faz com que ele faça sua própria investigação. Mas os potenciais suspeitos, Kelamar Tesson e Willom, parecem ter um álibi, o que esmaga sua suspeita inicial.
Em 14 de fevereiro, em seguida, o grupo de viagem se separa pela primeira vez. Enquanto Homunk que seguir para Manaus, na América do Sul, Idinyphe é atraída pela Alemanha. Homunk então usa a primeira oportunidade a sós com Daniela Prioretti para falar sobre a doença dela, da qual ele se tornou ciente. Ao contrário da jovem, ele não acredita que seja uma doença terminal. Em vez disso, ele assume que é uma doença mental e que ela pertence à classe daquelas nas quais os pacientes não querem ser ajudados. De particular importância são as palavras ditas pelos irmãos no decurso dos ataques, nas quais ele vê a chave para a cura.
Enquanto isso, na cidade de Dahlenheim, Idinyphe reconhece que se afasta cada vez mais da Humanidade. Ela desenvolveu um forte desejo por Akkartil, que aumenta depois de uma visita à rocha de Loreley. Por isso, ela depois segue para o Tibete, onde os dois grupos devem se reunir de novo. Lá, Homunk puxa os gêmeos Prioretti na primeira oportunidade, forçando os dois a um ataque. Com isso, emergem as memórias de infância dos dois. Seu trauma foi desencadeado quando seus pais, durante um ataque de delírio, incendiaram a casa onde moravam e tentaram matar seus filhos. Mas os vizinhos tinham agido a tempo e matado os furiosos. Os gêmeos ficaram contentes por saber a origem de seus ataques e concordam em ajudar Homunk em sua planejada fuga da Terra.
Em 22 de fevereiro, os eventos se acumulam. Primeiro, Perry Rhodan descobre que o companheiro invisível do grupo foi identificado como um assistente de Kelamar Tesson. Rhodan confirma sua suposição de que os linguides desenvolveram um forte interesse por toda informação relativa à superinteligência AQUILO. Pouco depois, Daniela Prioretti traz uma mensagem de Homunk. Ele informa que partiu com uma nave auxiliar sequestrada da ODIN e pede para que se abstenham de uma ação militar. Pouco depois, ocorre uma pequena conversa de rádio entre NATHAN e o androide, cujo conteúdo não pode ser descriptografado. Então Homunk parte para um destino desconhecido.
No fim do dia, Idinyphe volta para bordo da ANEZVAR e Rhodan recebe de Willom um convite para 25 de fevereiro. Neste dia deverá ocorrer um encontro de ambos a bordo da nave-tridente. Willom recebe o terrano citando “Die Loreley”1. Depois o nakk azul anuncia ter entendido os humanos e que está pronto para seguir viagem junto com eles. Um caminho que realmente só pode levar a AQUILO.
Nota do revisor: “Loreley é o nome de um personagem lendário do folclore alemão, cantado num belíssimo poema por Heine. A lenda diz que Loreley seduzia os pescadores com seus cânticos e eles terminavam morrendo no fundo do mar, já não me lembro de detalhes”. Clarice Lispector.
Para tentar entender o contexto do nakk cantar isso, é importante atentar para o fato que no século 19, foram escritas mais de quarenta versões de canções do texto de Heine, nenhuma das quais poderia alcançar a popularidade da versão de Silcher. Heines Lore-Ley foi durante muito tempo, especialmente no século 19, recebida como uma música sentimental popular. Historiadores afirmam que a música era tão popular que ele não teria sido ousada ser removida da antologia de poesia pelo Terceiro Reich pelos nazistas, embora Heinrich fosse de origem judia e estivesse elencado entre os poetas cujas obras foram banidas e queimadas. Sua autoria, no entanto, foi “subestimada” e, em vez disso, citada principalmente “por um poeta alemão desconhecido” ou afirmada similarmente.
Eu não sei o sentido
De tristeza tão assaz
Por um conto de tempo ido
Que significado a mim não traz.
O ar fresco e profundo,
O Reno manso a fluir;
Das montanhas cintila o cimo;
Da tarde de sol, o luzir.
A mais bela moça sentada
Em maravilhoso lugar,
Seu cabelo dourado penteia,
Com o ouro dos adornos a lampejar.
Ela alisa louras cãs caídas aos ombros
E canta uma canção que alicia;
Há um assombro
Em sua poderosa melodia.
O navegante no pequeno navio,
Capturado por selvagem dor,
Não divisa o recife rochoso,
Só visa à face superior.
Creio, as ondas hão de arrastar
Ao fundo, navegante e barco
Eis o que, com seu cantar,
Loreley leva a ato.
1 Nota do tradutor: canção alemã famosa de Friedrich Silcher (1837), baseada na obra de Heinrich Heine (1824). Um arquivo MIDI com a canção pode ser baixado em https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/90/Ich_wei%C3%9F_nicht%2C_was_soll_es_bedeuten.mid
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